Ricardo Boechat

Minha maneira de escrever é uma forma construída como uma “colcha de retalhos”, vários pedaços de inspiração, vários escritores, que vem montar este que te articula pensamentos que por vezes até agradam alguns leitores.

Um de meus inspiradores foi o Jornalista Ricardo Boechat, eu não concordava com os ideais dele, mas a maneira que ele escrevia era bem didática, afinal, ele também foi mestre, sim ele foi professor e em uma de suas aulas, Boechat apresenta aos alunos uma fotografia simples de uma rua de paralelepípedos, algumas árvores nas calçadas e casas simples com muros baixos, dos dois lados. Ele apresenta sua foto e pede: Me dêem dez chamadas de notícia com base nesta fotografia. Num primeiro momento, levantar dez chamadas parece algo difícil em uma simples foto de uma rua, mas acreditem, da para ter não dez, mas dezenas de chamadas.

Eu citei esta técnica de ensinar a criar chamadas, exatamente para dizer que vivemos em tempos tão abundantemente repletos de situações apropriadas a chamadas, que esta cada vez mais difícil de saber sobre o que estamos realmente lendo.

Eu teria uma infinidade de exemplos para mostrar, mas não vou fazê-lo, sei que o querido leitor ou querida leitora, sabe ao que me refiro sobre as chamadas de artigos, mas o fato é: Estariam estes artigos todos errados? Nosso primeiro sentimento é dizer que sim, afinal não esta escrito no artigo, o que eu acredito que seja a realidade, mas deixa eu te dar um pequeno choque de realidade: Quem escreve, na maioria das vezes, acredita mesmo no que diz e se interliga com sua chamada de forma muito honesta, para ele.

Seria cômico, se não fosse trágico, mas sim, alguns jornalistas ou articulistas, escrevem coisas que são antíteses do que pensamos de forma profundamente sincera, e sabemos que haverá leitores de todas as cores e paladares de leitura, logo por mais patético e absurdo que possa ser o que foi exalado por estes escritores, haverá sempre um séquito para concordar.

Me permita aproveitar uma leve brisa de inspiração para inflar minha vela e cerzir algumas linhas de pensamento:

Se por dezesseis ou mais anos, eu obtive vantagem, social, econômica, enfim, de todo tipo, se minha empresa foi alimentada com recursos da administração pública e com estes eu mantive meu padrão de vida, minha família, meus brinquedos, se esta fonte secar por culpa de outro pensamento ideológico, certamente vou ser contra até o final dos meus dias, não quero saber se esta certo ou errado, o que interessa é meu pirão primeiro, mesmo a custo de afundar toda uma sociedade, pronto falei.

Durante vários anos eu ia para o trabalho, enfrentando congestionamentos habituais de cidade grande, tendo como companhia o Eduardo Barão, e Ricardo Boechat, era o que eu poderia ter de melhor para as informações corriqueiras daquele tempo, quando o Brasil que buscava por justiça, até que encontrou e esta tomou conta do país, mas este é outro tema.

Boechat fazia algo que sempre funciona bem, ele demonstrava ser bem sincero, mesmo que não fosse, sua narrativa sempre convincente falava aquilo que outros jornalistas não tinham a mesma coragem de falar e assim seu programa ficou por muito tempo entre os mais ouvidos do Brasil.

Hoje já não temos mais esta possibilidade, pelo menos momentaneamente, nesta fase que estamos vivendo, uma Censura explicita que nos proíbe certos comentários, ainda que sejam sinceros e que hajam milhares ou milhões de pessoas que concordam, não existia no tempo do Boechat, uma justiça tão eclética que navega no interior de nossa carta magna e dela extrai o que lhe é adequado, hoje aquele articulista já teria sido ou cancelado, ou cooptado pela resistência que insiste em não entregar a Presidência da República adquirida nas urnas.

Fui articulista de um periódico durante alguns anos, mas eu tinha um tema, meio ambiente, sim, eu estive inserido neste assunto por um longo tempo e desta etapa adquiri algumas experiências e visões que eu exalava nos artigos semanais daquele jornal, eu também vivi o tempo dos militares na administração, presenciei as transições e só vi alguma mudança sendo iniciada efetivamente em 2018, mas com uma resistência tão forte que a faixa Presidencial ainda não foi entregue, desde 1985 com José Sarney que assumiu sem ela, não entregue pelo General Figueiredo.

Alias, alem de não ter sido passada a faixa Presidencial, a resistência foi tão brutal que houve até sangue, literalmente.

Políticos morreram em seqüestros não elucidados por ausência de testemunhas que morreram em acidentes suspeitos, outros acidentes aéreos com equipamentos novos e pilotos experientes, foram marcando nossa história recente.

Hoje volto meus pensamentos ao tempo em que ouvia no carro meu rádio, a caminho do trabalho, e imagino o que diria aquele comentarista, caso não houvesse sido cooptado pela força, como a maioria dos jornalistas foram e são hoje um consórcio.

Olhando para a fotografia atual do Brasil eu arriscaria algumas chamadas, mas vou encerrar homenageando um irmão Argentino, que sempre exaltava sua doce Veruska.

Ainda haverá justiça para a justiça e o Brasil vai dar certo.

                                                                                     10/04/2022

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